Cannot open file (/home/danieles/public_html/v1/wp-content/backup/.htaccess)Cannot write to file (/home/danieles/public_html/v1/wp-content/backup/.htaccess) Você está aqui | Daniel Escobar

Você está aqui

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Deambulando pelas ruas de uma grande cidade, atento aos mínimos sinais emanados pelo espaço urbano, o artista mentalmente toma notas da arquitetura, da paisagem natural e do som ao seu redor. Talvez nunca retorne àquele mesmo cul de sac onde o frio, a sede e sono o obrigaram a sentar-se num café para aplacar a angústia de estar à deriva.
Bem poderia estar em Porto Alegre, Belo Horizonte ou Nova Iorque, a sensação de abandono seria a mesma. Abriu o mapa que carregava no bolso e tentou identificar as vielas por onde havia caminhado a esmo, sem destino pré-estabelecido, buscando não apenas um way out mas sobretudo experiências dignas de anotar ao pé da página, de recordar dali a alguns anos.
A obra de Daniel Escobar é resultado da trajetória cosmopolita de um artista que busca compreender o espaço tridimensional por onde circula; estranhamento e familiaridade são sentimentos com os quais convive e dos quais extrai sentido, poesia, beleza.

Neste sentido, cosmopolitismo parece ser a chave de ingresso no mundo das cartografias de Escobar, cujos mapas por vezes indecifráveis servem apenas como pistas para que o “cidadão do mundo”, como queriam o Estoicos, possa transitar livremente pelas ruas e monumentos embaralhados no tecido urbano. Os guias turísticos, portanto, são belos exemplares da sonhada hospitalidade que só faz reforçar a diferença, muito embora estabeleçam um padrão de comunicação universal, passível de ser decodificado por qualquer turista, seja qual for sua nacionalidade.

Você está aqui, primeira exposição individual de Escobar após seu retorno ao Rio Grande do Sul, trata menos de Porto Alegre do que do sentimento de estar no mundo, aqui compreendido em toda a sua dimensão planetária. Para o artista, pouco importa a geografia, mas justamente aquilo que se repete e torna a experiência urbana algo comum em qualquer parte do globo. Ao descaracterizar um outdoor, por exemplo, ele não somente recusa todo o sistema de sinalização capitalista nas grandes cidades como também estabelece camadas de sentido cujo novo vocabulário permite uma comunicação universal.

Um certo sentimento de onipresença parece imergir da obra de Escobar, quer seja no mapa do miolo de Porto Alegre que tem suas bordas emaranhadas e parece nos impedir da fuga, mas que na verdade bem poderia se tratar de qualquer outra cartografia no contexto da exposição, tão-somente reforçando a ideia de que estamos aqui e em qualquer outra parte do mundo ao mesmo tempo. De maneira análoga, a justaposição de mapas dos centros turísticos das grandes capitais faz da paisagem global um terreno comum, absolutamente desprovido de fronteiras. Seu cosmopolitismo vai além da globalização, pois reconhece a alteridade ao passo em que reforça um sentimento de universalidade

 

 

 

You Are Here

 

Wandering the streets of a big city, alert to the smallest signals emanating from the urban space, the artist makes mental notes of the architecture, the natural landscape and the surrounding sounds. He may never return to the same cul de sac where cold, thirst and tiredness forced him to sit in a café to ease the anxiety of feeling off-course.

Porto Alegre, Belo Horizonte or New York, the feeling of abandonment would be the same: opening the map from his pocket, trying to work out where he had aimlessly wandered, without any predetermined goal, seeking not a way out but instead experiences worth noting down at the foot of the page, to be recalled a few years hence.

Daniel Escobar’s work is the result of the cosmopolitan trajectory of an artist who wants to understand the three-dimensional space he moves through. Living with feelings of strangeness and familiarity, he extracts from them meaning, poetry and beauty.

Cosmopolitanism seems in this sense to offer the key into the world of Escobar’s cartography, with maps that are sometimes undecipherable and serve only to provide routes for the “citizen of the world”, as the Stoics wanted, to move feely through the confusion of streets and monuments in the urban fabric. Tourist guides therefore provide fine examples of some dreamed-of hospitality that in the end only reinforces difference, while at the same time establishing a pattern of universal communication that can be decoded by any tourist, regardless of nationality.

Você está aqui [You are here], Escobar’s first solo exhibition since returning to Rio Grande do Sul, is less about Porto Alegre than about a feeling of being in the world, understood here in all its planetary dimension. Geography does not really matter for the artist, but instead what it is that repeats and makes urban experience something that is common anywhere in the world. By removing the characteristics of a billboard poster, for example, he is not just rejecting the whole capitalist system of signs in the big city, but is also establishing layers of meaning whose new vocabulary allows a form of universal communication.

A certain feeling of omnipresence seems to emerge from Escobar’s work. It might be the map of the heart of Porto Alegre, with tangled edges seeming to prevent escape, but which could also be any other map in the context of the exhibition, simply reinforcing the idea that we are here and in any other part of the world at the same time. Similarly, the juxtaposition of maps of the tourist centres of major capital cities makes the global landscape into common ground, completely devoid of boundaries. His cosmopolitanism reaches beyond globalisation by recognising otherness while at the same time reinforcing a feeling of universality.