Cannot open file (/home/danieles/public_html/v1/wp-content/backup/.htaccess)Cannot write to file (/home/danieles/public_html/v1/wp-content/backup/.htaccess) Bolsa Pampulha | Daniel Escobar

Bolsa Pampulha

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por Janaína Melo

 

No trabalho de Daniel Escobar o ponto de partida é a apropriação da imagem publicitária. Embora sua investigação se oriente pela discussão da efemeridade do circuito publicitário de exibição, consumo e desejo, a questão que de fato parece colocar-se no centro de suas reflexões diz respeito às relações, trocas e rearranjos que propõem a esses circuitos. O artista identifica na publicidade uma matéria que opera diretamente sobre o homem, seu modo de vida e sua percepção. A partir disso, propõem a construção de objetos, instalações ou situações que evidenciam não apenas os ciclos de produção e circulação, mas principalmente a maneira como esses elementos ativam o espaço urbano e provocam novas relações no cotidiano.

Durante a residência o artista reconhece na cidade de Belo Horizonte, um forte sistema de informação e propaganda constituído pela instalação de faixas publicitárias. Informais, ilegais e de baixo custo, essa faixas estão presentes em toda a cidade, anunciando a venda de imóveis ou trazendo chamadas de ofertas e serviços. Fabricadas em tecido e pintadas à mão as faixas por si só promovem uma intervenção no espaço público da cidade. Em A Verdade das Coisas (2008) Escobar se propôs a recolher as faixas que encontrava próximas a sua casa, em um primeiro movimento, quase silencioso, que interrompe o fluxo de comunicação e reorienta o espaço à sua “condição natural”. Nesse processo acaba por identificar os agentes envolvidos e desvenda todo o sistema de inserção e recolhimento das faixas nas vias públicas. Em um segundo momento, promove a devolução destas faixas para a rua, mas antes disso, esvazia seu conteúdo recortando todas as letras, deixando apenas o branco e o vazio das formas dos textos. Agora o tempo de leitura é outro. Para ter contato com a informação é necessário deter-se um pouco mais, parar e descobrir não apenas a mensagem, mas toda a natureza de uma complexa rede de significados, trocas e informações. As letras extraídas das faixas geram um último movimento do trabalho, construindo um grande empilhamento em uma praça da cidade. O grande volume de letras com diferentes cores e formatos, atraiu a atenção dos transeuntes, instaurando um ambiente momentâneo, porém muito potente, de convivência e relação com o lugar, com o outro e com a cidade.